(buzinaço, manifestação com toques frenéticos de buzina) e cacerolazo (panelaço),
nos vocábulos formados por derivação com -AZO. Dentro da frequência atestada de
137 ocorrências, 38 correspondem a referências específicas do campo do futebol,
razão pela qual fizemos a inclusão em destaque na última linha da tabela, para
tecermos algumas considerações a esse respeito.
Com relação aos vocábulos que denotam apreciação positiva, destacamos golazo,
partidazo (jogão), triunfazo (vitória importante), todas do âmbito do futebol. Também
machazo (machão), puestazo (de posto de trabalho, empregão), salariazo (um
salarião), tangazo (um bom tango) e temazo (um tema importante) são positivas. Nas
apreciativas negativas, temos cagazo (um grande susto), escolazo (jogatina, já
comentada antes), faltazo (uma ausência significativa, de caráter prejudicial),
panquecazos (referente a quem muda de partido ou de opinião na política, vira-folha),
plomazo (deriva de plomo/chumbo, equivale a pesado, cansativo, chatão ou chatona
em português).
Observamos que, além de escolazo, também cagazo, panquecazos e plomazo
resultam de processos de lexicalização, haja vista o grau de especialidade semântica
presente nas acepções. Para ilustrar, trazemos alguns exemplos: “Con el cagazo que
tienen, van a ir todos a votar, aunque caigan gorilas de punta”; “Por el cagazo
demostrado, más que Oral debería llamarse Tribunal Anal, pero no vamos a meternos
en cuestiones psicoanalíticas…”; “Nadie pretende aquel verso interminable de la
plomazo de Hotesur…” (em referência a Cristina Kirchner, dona da rede de hotéis com
esse nome); “¿El cambio de bloque político paga impuesto a las Ganancias o está
exento? ¿Dada la cantidad de panquecazos que se han visto, no sería buena idea
aplicarles retenciones?”. Nesses fragmentos, ter ou demonstrar medo (cagazo), ser
chata, cansativa (una plomazo) ou vira-folha (panquecazo), embora denotem objetos
identificáveis, remetem a significados que se especializaram pelo uso.
Os vocábulos que classificamos conforme o valor de golpe podem ser agrupados
da seguinte maneira: (a) golpe dado com, em que um objeto ou instrumento, uma
medida ou uma parte do corpo intervêm na ação violenta. Para esse grupo
identificamos ajustazo, balazo, baldazo, bochazos, botellazo, cabezazo, carpetazos,
codazo, cuchillazos, escobazo(s), fierrazo, fogonazo, guadañazo, ladrillazo, latigazos,
lengüetazos, mangazo, manotazo, pantallazo, pelotazo, pitazo, planchazo, plumazo,
porrazo, portazo, tarifazo(s), telefonazo, volantazo, zapatazo, zarpazo, zurdazo. Num
segundo grupo, reunimos ocorrências com sentido de (b) golpe dado por, em que o
ator ou origem do golpe é alguém (antropónimo), como em Rodrigazo. O terceiro e
último grupo corresponde a (c) golpe recebido em, podendo se referir a lugar
(topônimo) ou parte do corpo, a saber: batacazo, bobazo, cachetazo, espaldarazo,
Maracanazo.
Nos vocábulos do grupo (a), ajustazo e tarifazo indicam medidas tomadas pelo
governo, por meio das quais a sociedade recebe como consequência um golpe em suas
finanças, seja devido ao ajuste fiscal ou por conta do aumento de tarifas. Também
volantazo revela uma ação do governo ou de segmentos da política, em que se busca
um giro brusco no rumo do país. Por exemplo, no fragmento “¿El Gobierno? Bien, ahí
andan. Pegando el volantazo para ver si el mundo financiero internacional, al que
putearon durante diez años, ahora les tira una anchoa”. Isso representa uma
mudança, um giro no rumo da política. Já em carpetazos (de carpeta, pastas ou
arquivos, em português) verificamos a ação de golpe, no sentido de arquivamento de
causas muitas das vezes judiciais. Em plumazo (de pluma/pena, canetada, em